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Mar 10 2017

«A Pondal», de Gonzalo López Abente, o primeiro epicedio no pasamento do bardo pontecesán




Hai cen nos, tal día coma hoxe, e tan só tres días despois do pasamento do bardo pontecesán Eduardo Pondal o poeta muxián Gonzalo López Abente escribía o primeiro epicedio ou composición lírica na súa lembranza. O texto vería a luz unhas semanas despois, pois o poema «A Pondal» vai ser publicado por A Nosa Terra, 15, 10 de abril de 1917. Porén, a familia conserva un manuscrito, datado un mes antes «Muxía, 10 – Marzo 1.917», acompañado da sinatura autógrafa e sen a cita dos versos de Queixumes dos pinos. O manuscrito presenta numerosas enmendas, entre elas o trazo de Gonzalo López Abente elimina a estrofa que poñemos entre paréntese.

A PONDAL

Dend’o chan de Bergantiños

«Neste despoxo oscuro,
Algo d’insigne eu miro;
N’él vexo, un non sei qué,
De grande e de divino;
Cal astro que tuvera antigamente,
Un resprandor altivo;
Algo de somellante n’él contempro,
A un luceiro extinguido…»
(De Queixumes dos pinos).

Ouide ao mais cativo
dos fillos de Breogán,
que os doentes queixumes
respetoso vos trai
da terra en que soáron
os cantos valerosos de Pondal.
_____

«Virxen válme! Un cadavre!»
os ecos repetino
pol-as esquivas gándaras
do chan de Bergantiños.
«Virxen válme! Un cadavre!»
marmularon-os pinos
c’o medoñento son
de penados espíritos.

Un cadavre! berrano
os corvos montesíos,
erguendo de antre as uces
o seu voyo fatídico.
As correntes lixeiras
dos cantareiros rios,
cantano tristemente
un funeral dôrido;
y-as furnas, fondas, negras,
remexeron no abismo,
c’os tombos escumantes do mar bravo,
temerosos muxidos.

Cubrínose de brétemas loitosas
os dous fachos altivos:
—facho de Touriñán
e facho de Lourido;—
vixiantes soberbos
do noso chan querido
onde van aniñaren
de noite os mazaricos.

(Ouide ao mais cativo
dos fillos de Breogán,
que os dôridos queixumes
respetoso vos trai
da terra en que soaron
os cantos valerosos de Pondal.)

Pobre terra de Xallas
por onde o Bardo amigo
cruzóu cando estudeante
calado e pensativo;
¿por qué tan triste o vento
funga nos toxos hirtos?
¿Qué tendes? ¿Qué decides?
¡Un morto!… ¿Quén morrío?
Y-a fada de Rouriz
berróume nun sospiro:
—Foise Gundar, o nobre fillo d’Ouro;
morréu Gundar, o meu amado fillo.
______

Ouide, ouide todos
a un fillo de Breogán,
que os doentes queixumes
respetoso vos trai
da terra en que soáron
os cantos valerosos de Pondal.
______

Rouriz e Morpeguite
con falar compunxido,
co-as guedellas revoltas
e das bágoas nos ollos o rebrilo,
dixénome: —Pois tí,
que inda nas veas tes sangue do estinto,
pol-o amado dos celtas
un canto entoarás tenro e dôrido.
¿Mais onde a inspiración
ha de hachar un cativo
parente de Gundar,
anque o peito afrixido
y-atormentado teña?
E Morpeguite dixo:
—Repetide o que oyéu
a boa Bergantiños.
Y-é verdade que n-hai
outro falar mais dino
que aquel falar valente
do noso Bardo estinto:
Ouide, pois, ouide,
o que oyéu Bergantiños:
«—Neste despoxo oscuro,
algo d’insigne eu miro;
N’él vexo, un non sei qué,
de grande e de divino;
cal castro que tuvera antigamente,
un resprandor altivo;
algo de somellante n’él contempro
a un luceiro extinguido…»

____

Est’é o que ven decirvos
un fillo de Breogán,
c’os doentes queixumes
que respetoso trai
da terra en que soáron
os cantos valerosos de Pondal.

Muxía-III-1917

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Set 02 2016

Poemas para os megálitos (III): «Dolmen», de Lorenzo Varela

Dolmen-Varela-Seoane
Dolmen-LorenzoVarela1Dolmen-LorenzoVarela2
(Gravado de Luís Seoane que acompañou o poema na súa edición e manuscritos autógrafos de Lorenzo Varela).

No centenario de Lorenzo Varela era ben lembrarmos no II Simposio do Megalitismo da Costa da Morte o seu poema «Dolmen», publicado no poemario Lonxe (Bos Aires: Botella al Mar, 1954, con prólogo de Arturo Cuadrado e ilustrado con dez xilografías de Luís Seoane.

Os manuscritos foron tirados do artigo de Gregorio Ferreiro Fente, «“Lonxe”, “Dolmen” e “Compañeiros da miña xeneración mortos ou asasiñados”: os seus textos autógrafos». Boletín da RAG, nº 366, que se publicou logo de se lle dedicar o Día das Letras Galegas en 2005. Deseguida reproducimos os versos de Lorenzo Varela.

DOLMEN

Camiño do tempo vello,
camiño do tempo novo:
pedra dos tempos sin tempo,
pedra dun ollar sin ollos.

Semente do azar primeiro,
centella inmóvel da terra:
si latexara o teu peito,
ou si te voltaras de herba.

Si voaras, si tiveras
estrelados aguiares.
Si te romperas, penedo,
e deras a luz que sabes.

Feixe de raios ou dolmen,
lume gardado no ren,
tes xeito i alma de home
cun día quixo nascer.

É sagrado o teu silenzo:
Ao pé de ti fala a choiva,
sobor de ti canta o vento
e dentro de ti, ti escoitas.

Camiño do tempo vello,
camiño do tempo novo:
pedra dos tempos sin tempo
pedra dun ollar sin ollos.

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Abr 01 2016

Poemas LXXXVII: [Não tenho nenhuma lei nem regra], de Herberto Helder

HebertoHelder01
HebertoHelder02
HebertoHelder03
(Reprodución tiradas do excerto publicado no sitio web de Porto Editora)

Na nosa recente estadía en Lisboa visitamos por vez primeira o interesante espazo socio-cultural e comercial denominado LX Factory que ocupa unha antiga fábrica onde estivera desde o ano de 1846 a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, no bairro de Alcântara. Esta área industrial de 23.000 metros cadrados foi despois ocupada pola Companhia Industrial de Portugal e Colónias, tipografia Anuário Comercial de Portugal e Gráfica Mirandela.

Convertido en mercado de arte, deseño, literatura e gastronomía desde 2008, entre as súas “lojas” está a fermosa Livraria Ler Devagar (fotografías inferiores da miña autoría), onde merquei uns libros e onde tamén fomos bater cos amigos Xulio Noia e Maite Vilar Álvarez. E tiven a sorte de que ese mesmo día lles chegasen á libraría os primeiros exemplares dun novo libro póstumo do meu amado poeta Herberto Helder, intitulado Letra Aberta (Porto Editora, 2016), trinta e tres poemas inéditos escolmados por Olga Lima, un volume que se abre con este texto:

Não tenho nenhuma lei nem regra
para desordenar um poema escrito
não tenho mais que o desejo de tocar-te
ó coisa inúmera que entretanto
além de tocar
conto e reconto
continuadamente
fome de dizer como nunca foi
acontecido
fora do seu desejo mesmo tu
ó tão funda tão fundada
substância do mundo:
pleno cheio
serias sobretudo

como um voo ou como um ovo

Outros poemas deste libro póstumo de versos escollidos pola súa viúva Olga Lima, poden lerse no dixital caderno-revista 7faces. Alén diso engado esta interesante recensión asinada por António Guerreiro no diario Público, no seu suplemento de Cultura-Ípsilon, dentro da sección de Crítica.

A acção do poema

ANTÓNIO GUERREIRO 30/03/2016

Mais um livro póstumo, onde a voz mais elevada da poesia de Herberto Helder se pode apreender nalguns poemas, os suficientes para justificar esta edição

Depois de Poemas Canhotos, eis o segundo livro póstumo de Herberto Helder. Chama-se Letra Aberta e reúne trinta e três poemas inéditos, escolhidos por Olga Lima. A inauguração do espólio do poeta já sem a sua tutela (o livro anterior tinha sido deixado pronto para publicação) foi mais rápida do que era previsível, mas é gratificante: há neste livro um punhado de poemas que ascendem aos cimos da melhor obra herbertiana. E na comparação com o livro anterior, este tem muito a ganhar. Na recepção crítica da poesia de Herberto Helder, esta ideia de que nem tudo se equivale e de que também há momentos fracos é recente, foi suscitada pelos últimos livros, e é a resposta que obteve a um novo desafio (implicando não apenas decisões editoriais, mas também representações e imagens públicas) que o próprio poeta decidiu fazer, por insondáveis determinações, que revogaram severas determinações que se tinham colado à sua imagem como uma segunda natureza. Ecos deste embate, temo-los ainda nalguns poemas deste livro, aqueles que provavelmente serão por estes dias mais citados, mas que estão longe de ser o que de melhor nele podemos ler.

Herberto Helder é muito melhor no exercício de terror que praticou contra tudo (a língua, a pátria, a família, Deus, a beleza, etc.) do que no exercício de tiro ao alvo, mesmo quando o alvo é ele próprio e as suas circunstâncias biográficas (por exemplo, a atitude perante o envelhecimento e a morte próxima). No entanto, o abandono moderado de uma elevada entoação órfica seguiu também outras vias pelas quais o poeta chegou a poemas de um enorme fulgor. Há neste livro algumas amostras, vejamos esta: “escrevi umas poucas linhas como estela e como exemplo,/ mas faltava algures uma linha de silêncio que as ligasse todas,/ e então abri a mão inteira e sobre a mão abri a boca,/ e depois fechei os olhos a toda a volta,/ e depois a terra estremeceu,/ e depois eu estremeci no meio dela, mudo e cego e surdo e imóvel:/ mas soube que não tinha criado os elementos do mundo”. O poema a que pertencem estes versos é uma pequena pérola de auto-reflexão poética. A palavra “mundo” (fundamental, no vocabulário herbertiano) e as duas formas do verbo “estremecer” oferecem matéria de natureza poetológica para uma leitura da sua obra poética. Talvez o “estremecimento”, nas suas imensas ocorrências, seja uma maneira de dizer que o poema é uma acção e essa acção é uma agitação da linguagem. O poema é o lugar da maior agitação e é o que mantém aberto, na sua articulação, o sonho de uma língua que retém e desacelera. Abrir a linguagem, obter a “letra aberta”, é de facto uma acção que não consiste em dobrar a linguagem em direcção a um fim. E é aí que, em cada nome se dá um estremecimento. O poema vem do canto e guarda a memória de ter sido cantado. E quanto ao “mundo”, que reaparece com alguma frequência neste livro, aí entramos numa zona de onde se avista o fundamental da poesia de Herberto Helder. Há uma questão do “mundo” na poesia moderna (sobre a qual, aliás, há importantes estudos), que pode ser inaugurada com uma frase que podemos ler no Hyperion, de Hölderlin. É quando Diotima diz: “Tu queres um mundo. É por isso que tens tudo e não tens nada”. Mas para tratarmos a questão do mundo em Herberto Helder também não podemos ignorar que a sua poesia reivindica uma dimensão arcaica que a faz atravessar o tempo desde a origem. Tal como não podemos esquecer um conceito de Rilke, o “espaço interior do mundo”: em termos muito sumários, trata-se de um mundo interiorizado e um Eu exteriorizado, onde se abolem as fronteiras entre o dentro e o fora.

Nota: no frontispício do livro, podemos ler: “poemas inéditos escolhidos por Olga Lima”. Mas o livro não resultou apenas de um acto de escolha dos poemas. Quem fez a transcrição? De quem são as quatro notas que aparecem no final? E, mais importante ainda: de quem é a decisão de chamar a este livro Letra Aberta (nome retirado de um poema)? Tudo indica que é um título editorial, mas o livro faz passá-lo por título autora.

(Livraria Ler Devagar. Lisboa. Fotografías realizadas con dispositivo móbil. Premer nas imaxes para agrandar o tamaño)

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Mar 02 2016

O Banquete de Conxo (2 de marzo de 1856) na poesía de Xervasio Paz Lestón

AurelioAguirre
(Retrato de Aurelio Aguirre)

Como ben lembra o excelente «O Almanaque das Irmandades», que puxeron en andamento a coruñesa A. C. Alexandre Bóveda e a Asociación Socio-Pedagóxica Galega (AS-PG), na súa efeméride de hoxe, hai 160 anos, «o 2 de marzo de 1856 tivo lugar na carballeira do desamortizado mosteiro de Conxo un banquete de claro contido político que constituíu un xesto de irmandade entre a clase traballadora e o estudantado. Son os membros da mocidade progresista santiaguesa integrados en El Liceo de la Juventud e entre os que se encontran Pondal, Aurelio Aguirre, Rodríguez Seoane, Rosalía de Castro, Paz Novoa, dirixidos por Aureliano Aguirre, os promotores deste xantar en que se xuntaron cen artesáns e obreiros da cidade con outros tantos estudantes».

Na miña Tese de Licenciatura, A poesía galega de Xervasio Paz Lestón. Edición e estudo, publicada pola desaparecida Edicións do Castro en 1998, recuperei e exhumei dous poemas deste autor muxián emigrado de novo á Arxentina que fan referencia a este Banquete de Conxo.

O primeiro leva por título «Un Longo Século», en forma de romance heroico en hendecasílabos e con esquema rimático (–A–A). Publicouse para conmemorar o centenario da efémeride nunha das publicacións da emigración galega na Arxentina, Galicia, nº 1272, 5 de xullo de 1956, e consérvase un Manuscrito, exactamente igual, que me fornecera o chorado e finado doutor Juan Gervasio Paz Narbaiz, fillo do poeta, quen nos acompañara na presentación da obra na compostelá Galería Sargadelos en xuño de 1999.

O segundo intitúlase «No Aniversario de Conxo», con 15 pareados alexandrinos, que se debeu publicar tamén mais nós non o localizamos. No Manuscrito aparece o nome completo do poeta e este texto tiña un epígrafe anterior, riscado, que di: Ao Congreso da Emigración. Por esta razón, tal vez se podería datar tamén en 1956, xa que se celebrou na cidade de Bos Aires entre o 24 e o 31 de xullo de 1956, e foi artellado polo Consello de Galiza.

Velaquí estes dous ben intersantes poemas conmemorativos da efeméride.

Un Longo Século

Senlleira data do xantar de Conxo
co brinde varil do xurdio bardo:
en mouras horas pra querida Terra
cumpríronse de tí, cen longos anos.

Soberboso tirán máis asesiño
que o tigre de Carral ten hoxe o mando
e milleiros de tombas de iñocentes
ao ceu claman xusticia no chan patrio.

Si ergueran a sua voz Pondal i Aguirre
serían coma entón encadeados,
que non hai no solar de Rosalía
azas de libertá pra rexos cantos.

Inda terían de espatriarse os libres
coma o reberte Añón dos himnos patrios
inda con feble aurora no hourizonte
os dereitos con sangre son negados.

Mais, as verbas proféticas resoan
nos espritos dos corpos torturados
i un puxante balbor batica os peitos
dos que teñen os pes agrilloados…

¡Xa se escoitan ruídos de cadeas
remexidas no âr por fortes brazos,
que agardan a siñal comprometida
pra crebalas de golpe en mil anacos!

Y a loita ten de ser â par dos pobos
que xemen coma nós escravizados;
contra a feroz tiranía i os asesiños
de un millón de españoles inmolados.

No Aniversario de Conxo

Irmáns asuïdados da emigración galega:
¡saúde e boandanza, no alborexar que chega!
Xa se ouven xurdios cantos, preanuncio da alborada,
voiar no escuro ceo da patria aferrollada.
¡Os corpos venerados dos mártires caídos
trocáronse en semente dos érois pormetidos!
De cada patrián morto nas pontas da inxusticia
cen bravos renaceron pra causa de Galicia.
Cô sangre, os que morreron nos muros e camiños,
o chan amoleceron dos pes dos asesiños.
¡Que outean como Némesis, ineixorabre avanza
pra vindicar as víctimas da criminal matanza!…
______

No amor a patria, irmáns da emigración galega,:
as almas preparemos pra xeira que nos chega…
Que as voces que se escoitan na patria aferrollada
coas nosas se armonicen pra os cantos da alborada.
Que as mentes se nos enchan de nobres pensamentos
i aniñen nosos peitos subrimes sentimentos.
O esforzo retempremos en fragua belicosa
i o anseo convirtamos en xeira clamorosa.
Que non haxa agravios nin medren cobardías
no acontecer grorioso dos preanunciados días.
Pra desbotar pra sempre do chan da nosa Terra
a vil traición i o crimen da maldecida guerra…
______

Irmáns da emigración con soños de esperanza:
¡fagamos realidades as verbas da xuntanza!
Que os espritos de Conxo se sintan orgulosos
dos seus patriáns herdeiros, por bôs e xenerosos.
Saúde, irmáns na patria, que a sorte sea propicia
¡¡nos corazóns o culto sagrado de Galicia!!

Xervasio Paz Lestón

(Fotografía da presentación da obra A poesía galega de Xervasio Paz Lestón. Edición e estudo. Na mesa, o profesor Xesús Alonso Montero -que dirixiu a Tese de Licenciatura-, eu propio e Juan Gervasio Paz Narbaiz. Ao fondo están dous muxiáns: o antropólogo Manuel Vilar e o daquela alcalde nacionalista de Muxía e parente do poeta, Xoán Bautista Pose Paz. Premer na imaxe para agrandar o tamaño)
PrsentaciónTesiñaXuño99

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Feb 05 2015

A creación do Arquivo do Nacionalismo Galego, un fito histórico

ArquivoNG
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As persoas que nos mergullamos algunha vez nas hemerotecas para realizar un labor de investigación histórica ou literaria (coma no meu caso) temos que parabenizar as entidades que onte decidiron unir os seus esforzos para artellar a creación do Arquivo do Nacionalismo Galego, un fito histórico que vai permitir desde xa e no futuro a consulta on-line dos fondos dixitalizados de cada unha delas. Na súa declaración de intencións sinálase:

«O Arquivo do Nacionalismo Galego é unha iniciativa que nace a partir do esforzo de diversas entidades, que custodían por separado miles de documentos que refiren a Historia do Nacionalismo Galego ao longo do século XX e parte do XIX.

Unha iniciativa que nace no inicio do ano 2015 non por casualidade. Faino a doce meses do primeiro centenario do nacemento da ‘Irmandade dos Amigos da Fala da Cruña’, primeira das Irmandades da Fala que se organizarían por toda Galiza a partir daquela, baixo a iniciativa de figuras como Antón e Ramón Vilar Ponte, Manuel Lugrís Freire, Lois Porteiro Garea, Florencio Vaamonde Lores ou Uxío Carré Aldao; recollendo o testemuño dado polos ‘Precursores’ e os protagonistas do ‘Rexurdimento’ no s. XIX, caso de Antolín Faraldo, Francisco Añón,  Manuel Murguía, Eduardo Pondal, Rosalía de Castro ou Manuel Curros Enríquez, entre outros.

O obxectivo central do Arquivo do Nacionalismo Galego é pór en valor os devanditos fondos, posibilitando o acceso aos mesmos dun xeito doado e dándolle a estes una cobertura compartida da man das entidades que os posúen e conservan, consorciándose desta volta para facer realidade este portal web. A través deste, pódense localizar os fondos existentes (catalogados ou en vías de catalogación) relativos a persoeiros e organizacións diversas do nacionalismo galego, así como publicacións que este editou ao longo do tempo.

O Arquivo do Nacionalismo Galego nace, na práctica, como ferramenta ao servizo do mundo da investigación especializada, mais tamén do público en xeral interesado pola pretérito do país. Dando unha panorámica global dos fondos xerados polo axir do nacionalismo galego ao longo da súa historia».

Polo de agora, a mostraxe de documentos é pequena mais a día de hoxe xa dispoñibilizan na rede a reprodución dixital de importantes materiais na sección Documentos on-line, como o manuscrito de Nós, os inadaptados fornecido pola Fundación Vicente Risco, ou na galería de imaxes o carné de membro do Seminario de Estudos Galegos de Alexandre Bóveda.

E aínda que se observan significativas ausencias, moitos parabéns para as dez entidades que asinan este acordo: Fundación Alexandre Bóveda, Fundación Bautista Álvarez, Fundación Castelao, Fundación Galiza Sempre, Fundación Losada Diéguez, Fundación Manuel María, Fundación Moncho Reboiras e Fundación Vicente Risco, ademais de Murguía. Revista Galega de Historia e do Museo do Pobo Galego.

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AlexandreBóvedaSEG

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Dec 03 2014

Poderosas razóns para lle dar a miña confianza á CIG-Ensino – Defendamos os nosos dereitos! Ensino Público Galego

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Moitas das poderosas razóns polas que lle darei mañá a miña confianza á CIG-Ensino figuran neste extracto do seu programa sindical.

Liñas básicas do programa

“A CIG-Ensino preséntase ás eleccións sindicais co obxectivo de conseguir  outro modelo de representación máis democrático e participativo, continuar na loita contra a LOMCE até conseguir a súa derrogación,  combater o desmantelamento do ensino público e acadar  restitución de todos os dereitos laborais salariais  e profesionais do profesorado”, explicou Anxo Louzao. Entre as medidas que propón a CIG-Ensino destaca:

Restitución dos horarios no camiño de acadar o máximo de 18 períodos lectivos.

Restitución dos nosos dereitos salariais (percepción do 100% do salario nas incapacidades laborais transitorias (ILT), do 100% das pagas extraordinarias, recuperación do poder adquisitivo e subas salariais anuais como mínimo igual ao IPC, etc.)

Formación permanente gratuíta dentro do horario lectivo, restitución das licenzas por estudos e  da matrícula gratuíta na Universidade.

Estabilidade no posto de traballo para o profesorado interino.

Dereito indefinido á xubilación voluntaria aos 60 anos e 25 de servizo ou 30 anos de servizo co 100% das retribucións. Xubilación obrigatoria aos 65 anos.

Aposta por un estatuto galego do profesorado que restitúa os nosos dereitos salariais e laborais, recolla medidas para valorar o noso traballo docente e as reivindicacións .

Procurar un sistema educativo galego, inserido na nosa realidade nacional, baseado no ensino público, na equidade e igualdade de oportunidades, na prevención do fracaso escolar, na xestión democrática dos centros e na revalorización da función docente.

A aprobación dunha lei do sistema educativo galego baseada no ensino público, galego, laico, coeducativo e democrático e nun plan orzamentario que dedique o 7% do PIB a Educación.

Conseguir a derrogación do Decreto do plurilingüismo e a aplicación do Plan de normalización lingüística

Combater  os concertos educativos.

Defender un ensino laico no que a relixión non teña cabida no currículo escolar.

Uns cadros de persoal amplos e suficientes que garantan especialistas e orientadores e orientadoras en todos os centros, que eviten impartir afíns, que reforcen o traballo de titoría, impidan a mobilidade funcional e xeográfica forzosa do profesorado, rematen coa provisionalidade e garantan a atención á diversidade.

A redución de alumnado por aula: até un máximo de 15 en educación infantil, 20 en primaria e secundaria e 25 en bacharelato, coas necesarias reducións cando se escolariza alumnado con necesidades educativas especiais e computando o alumnado repetidor. Redución de número de alumnado, como máximo 12 alumnos e alumnas por aula nas clases de lingua estranxeira.

A xestión democrática dos centros. Soberanía do claustro no ámbito pedagóxico-didáctico e laboral-profesional. Elección democrática das direccións dos centros, incluídas as dos centros integrados.

Supresión das taxas de reposición. Cobertura de todas as vacantes existentes, incluídas as xeradas por xubilación. Ofertas públicas amplas de emprego para dotar de profesorado suficiente os centros e crear emprego.

Unha nova planificación do sistema educativo no medio rural que garanta o dereito a escolarizar os nenos e nenas no seu medio, cos medios e recursos necesarios e todos os servizos complementarios.

A dotación e ampliación de persoal de administración e servizos en todos os centros públicos e coidadores e coidadoras onde sexan necesarios.

Reestabelecemento da xornada reducida matinal en xuño e setembro.

Dotación en todos os centros de servizo de comedor e oferta gratuíta das actividade extraescolares.

Restabelecemento da gratuidade dos libros de texto e extensión a todo o material didáctico en educación infantil, primaria e ESO.

Derrogación da Lei de convivencia, do Decreto de comedores e de admisión do alumnado e da FP Dual.

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Dec 03 2014

Lembranza de Olimpio Arca Caldas (Cuntis, 1928 – A Estrada, 2014)

OlimpioArca
OlimpioArca-15-09-12
(Retrato de Olimpio Arca, da autoría de Héitor Picallo, e fotografado entre Xosé María Lema Suárez e eu propio na entrega a Héitor Picallo do Premio Reimóndez Portela o 14 de setembro do 2012. Premer nas imaxes para agrandar o tamaño)

Días atrás dixémoslle adeus ao escritor, historiador e mestre (nomeado Mestre Exemplar polo Museo de Pontevedra en 1993) Olimpio Arca Caldas (Cuntis, 1928 – A Estrada, 2014), quen nos deixou á idade de 86 anos na súa casa estradense. Coñecín a Olimpio a finais da década dos noventa debido á amizade que me une desde esa época á súa filla Maka Arca Camba, coa que temos coincidido en moitos sarillos culturais e literarios.

Con Olimpio Arca non tiven moito trato, aínda que falamos e coincidimos tamén moitas veces, nomeadamente en presentacións de libros, adoito relacionados coa Terra de Tabeirós. Precisamente a fotografía ilustra a última vez que debemos cadrar xuntos. Alén diso, coñezo e lin varios dos seus traballos de polígrafo, xa que Olimpio foi un deses eruditos e traballadores da cultura que realizou un intenso labor de investigación e defensa do patrimonio comarcal, exerceu a dirección do Museo do Pobo Estradense Manuel Reimóndez Portela e até chegaría a ser nomeado cronista local polo Concello d’A Estrada.

Para un achegamento á súa personalidade, desde a infancia, os anos da República, da guerra civil e da posguerra, ao seu maxisterio e á súa creación literaria, é moi recomendable a longa entrevista que lle realizou o alumnado do estradense IES Manuel García Barros e que pode ler nesta ligazón.

A nivel literario escribiu tamén contos e varias obras de teatro, como as tres que figuran na miña biblioteca persoal, dúas delas con senllas dedicatorias autógrafas, tal e como recollen as imaxes que acompañan esta anotación. En novembro do 2001, Maka Arca agasalloume as súas obras de teatro escolar Conversas coa nobre Dama (Concello de Cuntis, 1999) e Pelexa no souto (Edicións Fervenza, A Estrada, 2001), coa que se inauguraba a colección A Pinguela Teatro Escolar, dirixida por Xosé Luna Sanmartín, aínda que unha nota editorial sinala: «Pelexa no souto, de Olimpio Arca Caldas, foi escrita en 1974 e estreada nese mesmo ano na Agrupación Escolar de Couso».

O propio Xosé Luna Sanmartín faríame chegar en 2003 a obra Os Reis do Panchiño (Edicións Fervenza, A Estrada, 2002), sexta entrega da colección A Pinguela Teatro Escolar, desta volta coa seguinte nota editorial: «A publicación de Os Reis do Panchiño, de Olimpio Arca Caldas, foi recomendada pola Asociación Cultural O Facho, no ano 1973».

Todas tres, e en xeral toda a súa obra, amosan a súa preocupación pola conservación e a divulgación da nosa cultura e da nosa lingua, porque Olimpio Arca Caldas profesou o galeguismo até a medula. Abonda con lermos o final da peza Conversas coa nobre Dama (que non é outra que a lingua) e que me permito reproducir a xeito de postremeira homenaxe.

Que a Terra che sexa leve, Mestre!

(Entra a DAMA sen peluca e coa faciana de moza nova)

NENOS.- (Contentos, gardando os caramelos)
Así é como nós a queremos.

DAMA.- (Vai á libraría e colle dous libros. Dálle un a cada neno) Este é o meu agasallo, para que leades moito e me escribades máis.

(No medio dos dous nenos cara ó público)

DAMA.- Eu son a fermosa e antiga lingua galega. Hai séculos na miña lingua rimaba os seus versos o Rei Afonso X de Castela. Nela rezaron os vosos tataravós, namoraron vosos avós. Estiven anos e séculos esquecida por certos persoeiros e asoballada por un irmán máis poderoso.
¡Sodes vós os que tedes que me defender xa que deste xeito afirmades a vosa personalidade! ¡GRACIAS!

Baixa o telón e música.

(Imaxes dunha das súas dedicatorias e das súas obras na miña biblioteca persoal. Premer nas imaxes para agrandar o tamaño)
OlimpioArca2
OlimpioArca1
OlimpioArca2
OlimpioArca3
OlimpioArca4
OlimpioArca5

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Abr 23 2013

Novelas de aventuras (As crebas, 2011)

A metaliteratura, a presenza dos libros como obxectos, é un dos motivos recorrentes nos meus versos desde o meu primeiro libro (Ausencias pretéritas, Espiral Maior, 1992). Hoxe, Día do Libro (tamén denominado Día Internacional do Libro ou Día Mundial do libro), recupero este texto publicado no poemario As crebas (Espiral Maior, 2011) e que fala de non concibir a existencia sen libros. Está inspirado no libro Las mujeres, que leen, son peligrosas (Maeva, 2006) do alemán Stefan Bollmann, con limiar de Esther Tusquets, e tamén nas novelas de aventuras que me converteron de por vida en lletraferit (fermoso termo do catalán).

Novelas de aventuras

As mulleres, que len, son perigosas, seica, e ti xa non concibes a existencia sen libros desde aquela nenez feliz na biblioteca cando a balea branca Moby Dick era un soño do capitán Akhab e ti tamén soñabas con chamarte Ismael na cuberta do Pequod.

Ou Huckleberry Finn, Tom Sawyer, Sandokán, Kim, Miguel Strogoff, Marco Polo, Lord Jim, novelas de aventuras con mulleres caladas, con ou sen amor, presas do dedal e da agulla.

As mulleres, que len, foron sempre un perigo porque a necesidade de dar outra visión rebordou nos tinteiros e o téxtil fixo o texto e da manufactura naceron manuscritos.

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Nov 27 2012

No nomeamento do profesor Xesús Alonso Montero como Fillo Adoptivo do concello de Ribadavia


(De esquerda a dereita, o finado doutor arxentino Juan Gervasio Paz Narbaiz -fillo do poeta muxián Xervasio Paz Lestón-, eu propio e o profesor Xesús Alonso Montero, no acto de presentación na compostelá galería de Sargadelos do volume A poesía galega de Xervasio Paz Lestón. Edición e estudo. Ao fondo entre o público os amigos muxiáns Manuel Vilar Álvarez e Xoán Bautista Pose Paz, parente do poeta e daquela alcalde nacionalista de Muxía. Premer na imaxe para agrandar o tamaño)

Na mañá do pasado sábado estivemos na Casa da Cultura de Ribadavia, a onde viaxei na compaña de Xosé María Dobarro e Isabel Seoane, para acompañar ao profesor Xesús Alonso Montero no seu nomeamento como Fillo Adoptivo do concello de Ribadavia. Velaquí as crónicas do acto no blogue de Galaxia e nos xornais Galicia HoxeLa Región ou La Voz de Galicia).

Alén das numerosas intervencións literarias, musicais ou políticas, puidemos escoitar un fragmento (soubo desta volta ser disciplinado no tempo de intervención) do discurso de aceptación que pronunciou co título «O Ribeiro, na miña vida, como pedagoxía e como compromiso», cuxo contido completo figura nun libriño editado pola Deputación de Ourense e co que se agasallou a todas as persoas asistentes a este emotivo acto.

A biografía intelectual do profesor Xesús Alonso Montero está ateigada de numerosos e imprescindibles -moitos deles- títulos e algúns deles foron obxecto das miñas recensións críticas. Porén, farei acordanza de cando coñecín persoalmente ao profesor que moito antes xa era referencia indispensable nas miñas lecturas.

Non fun alumno seu até os cursos de doutoramento. Así, en 1996 fun discente no curso denominado «Guerra civil (1936-1939) e literatura galega» e ao ano seguinte doutro intitulado «Tres institucións: Real Academia Galega (1906), Seminario de Estudos Galegos (1923-1936) e Instituto Padre Sarmiento (1944)». Ambos e dous foron de moito proveito para min, de maneira especial o primeiro pois a cada sesión viña cargado con libros da época, editados no interior ou producidos no exilio, e sempre deixaba circular aquelas primeiras edicións entre o alumnado. Anos máis tarde habíame agasallar cun exemplar dun daqueles, concretamente A gaita a falare de Ramón Rey Baltar, que se publicou en 1939 destinado a acadar fondos para os combatentes republicanos.

Naqueles cursos alicerzouse o meu interese pola literatura galega de entreguerras e por suxestión da profesora Dolores Vilavedra decidín solicitarlle ao profesor que fose o meu director da Tese de Licenciatura, A poesía galega de Xervasio Paz Lestón. Edición e estudo, que foi lida e defendida o 29 de xullo de 1997, obtendo o grao de Licenciado coa cualificación de Sobresaliente. Boa parte do texto foi publicado por Edicións do Castro (1998).

A nosa colaboración continuou en 1999 como recolle o volume Guerra civil (1936-1939) e literatura galega (Textos e documentos para unhas xornadas de estudio e debate), en edición literaria de Xesús Alonso Montero e eu propio, como material previo do congreso que baixo o mesmo epígrafe se celebrou no Consello da Cultura Galega, en Santiago de Compostela os días 14, 15 e 16 de decembro.

E a seguir tamén foi o director da miña Tese de Doutoramento en Teoría da Literatura e Literatura Comparada intitulada A poesía galega de Antón Zapata García. Edición e Estudo, que foi lida e defendida o 25 de febreiro de 2008, obtendo o grao de Doutor coa cualificación de Sobresaliente Cum Laude. Dado que foi un labor de moitos anos, no traballo tamén figura como titor o profesor Francisco Fernández Rei, xa que Alonso Montero non podía figurar ao ser xa emérito naquela altura. Este magno traballo é de acceso libre na rede en varios lugares, como no repositorio poesiagalega.org, tamén deu pé ao libro Antón Zapata García. Biografía dun poeta emigrado ao servizo da II República (Laiovento, 2009).

Nestes dezaseis anos de trato persoal aínda tiven a sorte de colaborar co profesor en moitos outros proxectos de menor entidade e de aprender en todas e cada unha desas oportunidades. Por esta razón era obrigada a nosa presenza nese acto de homenaxe, como discípulo do vello mestre, como admirador da súa oratoria, como lector e como persoa que pode gozar da súa amizade persoal. Saúde e parabéns, profesor!

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Set 24 2012

Poemas (XLIX): «To the Autumn» (Oda ao Outono), de John Keats


(Primeira e segunda páxina do manuscrito do poema, tirado de englishhistory.net. Premer na imaxe para unha mellor lectura)

O ano pasado saudamos a chegada do outono nesta bitácora cun fermoso e breve poema de Uxío Novoneira, musicado por Emilio Cao, e con outro texto da miña autoría pertencente ao sonetario Ausencias pretéritas, onde se inclúe unha segunda parte (das seis que compoñen o volume) con dez sonetos baixo o encabezamento «De ti e do outono».

Desta volta este saúdo vai ser botando man do coñecido e mítico poema de John Keats «To Autumn», do que ofrezo o texto acompañado do manuscrito e unha tradución portuguesa do poeta António Simões.

To Autumn

Season of mists and mellow fruitfulness,
Close bosom-friend of the maturing sun;
Conspiring with him how to load and bless
With fruit the vines that round the thatch-eves run;
To bend with apples the moss’d cottage-trees,
And fill all fruit with ripeness to the core;
To swell the gourd, and plump the hazel shells
With a sweet kernel; to set budding more,
And still more, later flowers for the bees,
Until they think warm days will never cease,
For summer has o’er-brimm’d their clammy cells.

Who hath not seen thee oft amid thy store?
Sometimes whoever seeks abroad may find
Thee sitting careless on a granary floor,
Thy hair soft-lifted by the winnowing wind;
Or on a half-reap’d furrow sound asleep,
Drows’d with the fume of poppies, while thy hook
Spares the next swath and all its twined flowers:
And sometimes like a gleaner thou dost keep
Steady thy laden head across a brook;
Or by a cyder-press, with patient look,
Thou watchest the last oozings hours by hours.

Where are the songs of spring? Ay, where are they?
Think not of them, thou hast thy music too, –
While barred clouds bloom the soft-dying day,
And touch the stubble-plains with rosy hue;
Then in a wailful choir the small gnats mourn
Among the river sallows, borne aloft
Or sinking as the light wind lives or dies;
And full-grown lambs loud bleat from hilly bourn;
Hedge-crickets sing; and now with treble soft
The red-breast whistles from a garden-croft;
And gathering swallows twitter in the skies.

ODE AO OUTONO

1

Estação de neblinas, doce e fecunda!
Companheira íntima do sol, com ele vais,
Quando ele abençoa e inunda
De frutos as videiras junto dos beirais;
Pra vergar de maçãs a musgosa macieira
E a fruta por inteiro tornar madura
Pra inchar as cabaças, prà avelã ficar gorda
Com uma doce amêndoa; há flores com fartura
Pra que a abelha as tenha sempre que queira
E pense haver dias quentes a vida inteira,
Pois o verão seus favos pegajosos transborda .

2

Quem não te viu já de fartura rodeada?
Às vezes, quem te procura sob outros céus,
No chão dum celeiro encontra-te descuidada,
O vento da limpeza ergue-te os cabelos.
Ou num rego meio-ceifado, em fundo torpor,
Tonta do perfume das papoulas, parada
A foice, junto da ceara a ceifar te demoras;
Às vezes, tens direita, qual rebuscador1,
A pesada cabeça, ao passar a ribeira;
Ou, junto de a prensa, observas tranquila
A cidra a gotejar no fluir das horas.

3

Que é das canções da Primavera? Onde hão-de estar?
Esquece-as, tua música também tem valor –
Nuvens orlam o dia morrendo devagar
Tingem os restolhos de sua rósea cor;
De os mosquitos a dorida serrazina,
Crescente, entre os salgueiros do rio se ouvia,
Diminuindo, se o vento fica mais brando;
Os cordeiros balem na próxima colina;
Cantam grilos, alto, mas cheios de harmonia,
Num quintal, pisco vermelho assobia,
E as andorinhas chilreiam nos céus em bando.

John Keats (1795-1821)

in Antologia de Poesia Anglo-Americana – De Chaucer a Dylan Thomas, edição bilingue, pp. 239 e 241, Selecção, tradução, prefácio e notas de António Simões, edição Campo das Letras, Outubro de 2002

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